domingo, 31 de outubro de 2010
TORMENTO
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Suspensão Temporária das Atividades
quinta-feira, 10 de junho de 2010
PERIGOS NOTURNOS
Perigos Noturnos
Pela terceira vez àquela noite, o bebê começou a chorar.
- É sua vez de novo – disse o homem à esposa, que sentou na beira da cama, sonolenta. O lamento infantil continuava vindo pela babá eletrônica, e a mulher olhou para o aparelho como se ele tivesse alguma culpa nisso. Bem, só precisava de mais alguns segundos antes de acordar por completo.
Repentinamente o rádio transmissor ficou silencioso, o que despertou a mãe de imediato. Quando ia levantar, escutou algo que parecia uma mão agarrando a extensão no quarto do nenê. O terror a deixou paralisada por meio segundo, tempo suficiente para escutar uma voz fantasmagórica e dissonante, que escarneceu:
- Devia cuidar melhor do seu filhinho.
Ela correu desesperada, chegando bem a tempo de ver os pezinhos do filho sumindo nas sombras abaixo do berço. Jogou o móvel para o lado e então gritou de horror e descrença.
Nunca mais viu seu bebê.
sábado, 22 de maio de 2010
Quem cambaleia sempre alcança! Os ZUMBIS estão chegando!!!

Amigos, está quase chegando o dia do lançamento do livro Zumbis - Quem disse que eles estão mortos? (All Print Editora, organização de Ademir Pascale) . Fui um dos dois autores especialmente convidados para escrever um conto no livro, e tenho muito orgulho da minha história Meu Inferno sou Eu, escolhida para abrir a coletânea. O evento será no dia 06 de junho, a partir das 17:00 na Ludo Luderia, Rua 13 de Maio, número 972, Rua Bela Vista, São Paulo. A entrada é franca.
Estarei lá, aguardando sua presença para trocar umas idéias sobre terror, filmes, livros, mortos-vivos e todos esses assuntos que adoramos. E é claro, quem quiser comprar o livro na hora, ganha autógrafo meu e de todos os escritores presentes. Qualquer dúvida, é só perguntar nos comentários. Veja o convite abaixo para mais detalhes:

Grande abraço, e até mais!
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Leia um miniconto meu na e-zine Flores do Lado de Cima
Olá! Lembram do concurso de minicontos que falei, que consegui me classificar entre os 20 primeiros? Bem, aqui está a edição especial da zine Flores do Lado de Cima, trazendo os minicontos vencedores. Quem quiser baixar para ler o meu miniconto (e todos os demais, que estão excelentes e muito bem escolhidos!), você encontra o arquivo clicando aqui. Abraços, até mais!
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Eu, eu, eu!
Pra começar, o blog Criando Testrálios (sobre o mundo da fantasia) publicou uma entrevista minha, que pode ser lida clicando aqui. Além disso, o mesmo blog está fazendo um concurso com o livro Invasão, antologia de contos sobre invasões ao planeta Terra. Os contos são, em sua maioria, de Ficção Científica, mas o meu puxou um pouco para o terror também. Então, se quiser ganhar um exemplar, clique aqui e confira as regras!
A antologia Zumbis - Quem disse que eles estão Mortos? (All Print, organização de Ademir Pascale) está quase saindo do forno. O lançamento será dia 06 de junho, a partir das 17:00 na Ludo Luderia, Rua 13 de Maio, número 972, Rua Bela Vista, São Paulo. Se não der nenhuma zebra, eu estarei presente! Então, é mais uma chance para você me conhecer! Uh-húl! (calma, não precisa pular tanto de alegria...). Veja o convite abaixo para mais detalhes, espero que dessa vez PELO MENOS UM LEITOR DOS MEUS BLOGS compareça!!!! Huahauaha!

Por fim, o escritor e ensaista Roberto de Souza Causo escreveu uma matéria para a revista americana Locus, uma importante publicação sobre Ficção Científica.
Por fim, o blog MedoB começou a publicar, além das minhas resenhas, meus contos. O primeiro conto postado O Lençol (que muitos de vocês já devem conhecer) foi muito bem recebido e está gerando muitos comentários, na maioria positivos, um ou outro negativo. Se quiser conferir a repercussão, basta clicar aqui.
Um grande abraço, e até mais!
domingo, 9 de maio de 2010
NÃO HÁ MONSTRO ALGUM
Não há monstro algum!
- Tia, tem um monstro embaixo da minha cama!
- Não há monstro algum! Já olhei, já mostrei, então chega. Vê se dorme!
Sem remédio, a menina observou a luz do corredor afinando enquanto a porta era fechada. Quando tudo ficou escuro, ela puxou o cobertor até a cabeça, chorando baixinho.
Após alguns minutos escutou o som novamente, aquele ronco suave que fazia o colchão vibrar. A tia havia dito que era apenas o encanamento, então se apegou a isso com toda força, murmurando: São os canos, os canos, os...
Aos poucos, sentiu seu lençol ficando úmido. Teria urinado? Não, não era isso, o material em que estava deitada é que se molhava sozinho. Com horror, percebeu que jazia sobre algo parecido com uma língua gigante.
Uma garganta rodeada por dentes podres se abriu no colchão, engolindo a garotinha antes que tivesse tempo de gritar.
- Falei que não tinha nada embaixo da cama – falou a tia ao entrar, alisando o móvel que soltava um arroto satisfeito. – Nenhum monstro ousaria.
terça-feira, 20 de abril de 2010
A ÚLTIMA VONTADE
Aos poucos as pancadas foram parando, até se reduzirem ao silêncio inquietante. Após bastante tempo sem ouvir nada, a criança conseguiu adormecer.
Na manhã seguinte, a luz salvadora entrou pela janela quando a mãe afastou as cortinas. A menina pulou para o chão e olhou embaixo da cama, pois se estivesse sozinha, não teria coragem de conferir.
Berrou ao ver a face do lobisomem. Sua mãe foi olhar e fez o mesmo.
Em desespero, puxaram para fora o irmão mais novo da garotinha. O menino de cinco anos ainda usava a monstruosa máscara de borracha que, de alguma forma, o sufocara. Certamente, ele havia se arrastado até ali embaixo durante a madrugada, para pregar um susto na irmã.
Ao menos, sua última vontade havia se realizado.
Resultado do 2º Concurso de Minicontos do Estronho e Esquésito
Enfim, concorri com três minicontos. Um dos que não ganharam nada, vou publicar aqui no blog (está logo acima!). Logo logo, o Estronho vai publicar os contos vencedores, então eu trago o link para vocês conferirem. Abraços, boa leitura!
Conto PROMESSAS no blog Escrituras da Lua Cheia
Abraço!
quinta-feira, 25 de março de 2010
Participação na Fanzine Juvenatrix 121

Mas enfim, vim falar que estou participando da Juvenatrix 121, do especialista em terror Renato Rosatti.
Abraços!
quarta-feira, 3 de março de 2010
Meu Blog Biblioteca Mal-Assombrada e meus trabalhos concorrendo ao Prêmio Melhores do Ano!

A escritora Ana Cristina Rodrigues, ansiosa por arrumar sarna para se coçar, resolveu organizar o Prêmio Melhores do Ano (em literatura fantástica). Antes de qualquer coisa, parabéns a ela pela (extrema) coragem da iniciativa (clap clap clap!).
Em segundo lugar, vou passar um endereço com as regras do concurso, que servirá como mapa para aqueles que desejarem votar. É possível votar em vários endereços diferentes, então vocês podem tirar todas as dúvidas no seguinte endereço: http://comunafc.wordpress.com/
Agora, vou fazer minha propagandinha, pois estou concorrendo (direta e indiretamente) em várias categorias, e não me importaria em ganhar um ou outro prêmio, rsrs. Por isso, peço os votos dos frequentadores da Lua Mortal que realmente acham que meu trabalho merece algum prêmio.
Vou explicar o básico sobre a votação: é possível votar em até três candidatos na maioria das categorias, com três exceções: na categoria "contos", é possível votar até em cinco histórias, e nas categorias não-ficção e Ezines, deve-se votar em apenas um candidato. Ah, é só vale votar uma vez, ok? Importante ressaltar que é preciso votar em pelo menos seis categorias (coincidentemente, concorro em seis). Vou enumerar cada trabalho onde sou elegível, todos em suas respectivas categorias. Também vou colocar dois links diretos para os locais de votação, para facilitar ainda mais a vida de vocês (tão vendo como sou legal?). Para quem for votar pelo orkut, é necessário tornar-se membro da comunidade. Estou concorrendo aos seguintes prêmios:
Categoria "Colunistas/Resenhistas/Comentaristas"
Mario Carneiro Jr - Blog Biblioteca Mal Assombrada.
Vocês podem votar pelo Orkut ou pelo Blog.
Categoria "Sites Informativos"
Biblioteca Mal Assombrada
Vocês podem votar pelo Orkut ou pelo Blog
Categoria "Contos"
Aqui, não vai haver uma lista de votações; é preciso que o votante escolha os contos (até cinco) e coloque o nome destes, incluindo a obra ou mídia onde foi publicado, e o nome do autor. Pode votar em mais de um conto do mesmo autor. Tive algumas publicações esse ano, uma na Scarium Megazine, outras em livros e sites. Vou listar todos, incluindo alguns que podem ser conferidos na internet (estes estão com link para o endereço onde podem ser lidos). Meus contos que podem ser votados são:
"Um Estranho Incidente Noturno" - Livro Galeria Do Sobrenatural - Mario Carneiro Jr
"Lar" - Livro Invasão - Mario Carneiro Jr
"O Salteador Noturno" - Livro Alterego - Mario Carneiro Jr
"Tormento" - Livro Draculea - Mario Carneiro Jr
"Bruxa!" - Scarium Megazine 25 - Mario Carneiro Jr
"O Confessionário" - Site Contos Fantásticos - Mario Carneiro Jr
"A Rinha" - Site Contos Fantásticos - Mario Carneiro Jr
"O Lençol" - Site Contos Fantásticos - Mario Carneiro Jr
"O Símbolo Circular - Site Contos Fantásticos - Mario Carneiro Jr
Vocês podem votar pelo Orkut ou pelo Blog.
Categoria "Coletâneas"
Participei das seguintes coletâneas:
Alterego (org. Octavio Cariello - Terracota)
Draculea (org. Ademir Pascale - All Print)
Galeria do Sobrenatural (org. Silvio Alexandre - Terracota)
Invasão (org. Ademir Pascale - Giz Editorial)
Vocês podem votar pelo Orkut ou pelo Blog.
Categoria "Revistas e Zines"
Participei das seguinte revista:
Scarium (n. 25)
Vocês podem votar pelo Orkut ou pelo Blog.
Categoria "Ezines" (escolher somente uma obra)
Participei de:
Juvenatrix - 115-119
Terrorzine - 04-16
Vocês podem votar pelo Orkut ou pelo Blog.
E são essas as categorias onde sou elegível.
(Edit) Eu tinha passado também os trabalhos dos outros autores, mas agora que o concurso acabou, resolvi tirar, pois o post estava gigantesco. Obrigado a todos que votaram em mim!
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
A ESCOLHA DOS CONDENADOS

Os dois prisioneiros foram escoltados até um estranho e luxuoso salão, onde diversas portas aguardavam fechadas. O rei e seus súditos esperavam com ansiedade, enquanto eram servidos de vinhos exóticos. A cada um dos cativos, eram concedidos os seguintes direitos: fazer uma pergunta ao oráculo, que teria que dizer a verdade, e escolher uma das portas, onde suas sentenças de morte seriam executadas de imediato.
- Qual das passagens me trará menor dor? – questionou um dos condenados, sob murmúrios de aprovação da platéia. O velho posicionado sobre um tablado apontou:
- A terceira.
O preso respirou fundo e puxou o trinco, apenas para ser carbonizado pelas chamas que saíram lá de dentro. Gritou e caiu no piso de mármore, contorcendo-se com agonia atroz e abrasadora. O fogo se apagou e ele ficou lá deitado, gemendo como um cão recém-nascido. Levou vários minutos para morrer.
- Desgraçado, porque você mentiu?! – perguntou o outro condenado, com revolta.
- Não menti – disse calmamente o oráculo, provocando uma palidez extrema no rosto do cativo. – Agora escolha sua porta.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
O DRAGÃO DO TERRENO BALDIO

Ao lado da minha casa, existe um terreno baldio. Capim e plantas daninhas crescem no solo com velocidade alarmante, obrigando o anônimo proprietário a pagar dois jardineiros para limpar o local. Eles aparecem de tempos em tempos com suas foices e máquinas barulhentas, com serras giratórias que gritam de forma estridente. É sempre um alívio quando eles chegam, pois o mato alto pode servir de abrigo para ladrões. Desconfiança que me força a ficar atento, sempre que chego em casa de madrugada.
Há poucos dias eu estava saindo da garagem, quando vi um estranho movimento no limite entre o terreno e a rua. Era uma oscilação tranqüila, reptiliana. Parei o carro para olhar melhor o grande lagarto que desaparecia entre as folhas, a comprida cauda com listras amarelas se arrastando sem pressa. “É um teiú”, identifiquei de imediato. Para alguém nascido na cidade grande, há algo de mágico em ver um animal silvestre de perto, ainda mais tão próximo de nosso lar. De fato, é uma das poucas coisas legais de morar no interior.
O mato já estava meio alto, o que indicava que os jardineiros viriam logo. Isso me preocupou um pouco, pois o réptil poderia ser ferido involuntariamente. Ou voluntariamente, pois sempre preciso lembrar que nem todo mundo gosta de animais como eu.
Ao voltar para casa mais tarde, fiz uma busca pelo terreno, vencendo meu receito dos insetos e aranhas. Sei que parece frescura, mas é que sou alérgico. Enfim, minha idéia era capturar o animal e levá-lo para alguma mata próxima. Já trabalhei em um zoológico, e tenho uma leve noção de como lidar com répteis. Porém, após procurar um pouco, desisti; há muitos buracos e troncos ocos onde um lagarto como aquele poderia se esconder. Procurei me conformar, sabendo que esses animais são espertos, e fogem rapidamente quando escutam uma ameaça próxima. O que poderia fazer além de torcer pelo melhor? Bem, eu sempre via quando os jardineiros chegavam, então estava decidido a conversar com eles antes que começassem seu trabalho. Isso deveria bastar para que tomassem cuidado.
Nos dias seguintes, sempre dava uma olhada no terreno baldio ao sair de casa, esperando algum sinal do novo vizinho. Não tive sucesso. Mesmo assim, era agradável pensar que havia um monstro, um dragão escondido por ali. Uma criatura do tempo dos dinossauros, espreitando entre o capim com seus olhos frios, inquietantes. Na minha imaginação, o terreno agora era um cenário pré-histórico, com alguma coisa selvagem rondando nas sombras.
Mas na última quinta-feira, ao voltar para casa, vi o animal parado junto ao meio-fio. Sua imobilidade me pareceu... errada. Estacionei o carro e fui olhar, com o coração aos pulos. Paradoxalmente, desejava que ele não estivesse lá quando eu chegasse. Queria vê-lo fugindo para longe, com aquele andar balançante que os répteis fazem ao correr, a cauda estalando como o chicote de um deus pagão e enlouquecido.
Mas eu tentava me iludir, pois já sabia que ele estava morto. Uma porção do estômago jazia fora do corpo coberto de formigas, indicando que algum trauma causara sua morte. Atropelamento? Ataque de cães vadios? Maldade das crianças que estão sempre brincando por ali? Quem sabe...
Gostaria de ter sido menos preguiçoso, menos acomodado. Queria ter tido mais empenho em levá-lo para um lugar seguro. Mas essas são reflexões vãs, de alguém que não sabe se conseguiria salvar o bichinho.
A única coisa que sei é que sinto um vazio esquisito ao olhar para a antiga floresta pré-histórica, que voltou a ser um mero terreno baldio.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
O conto O Confessionário foi publicado no site Contos Fantásticos.
Abraços!
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Prorrogado o prazo para participação da antologia Zumbis - Quem disse que Eles estão Mortos?

Pessoal, o prazo para tentar participar da coletânea sobre os adoráveis cadáveres semoventes foi prorrogado para 01/03/10. Se você tem uma boa idéia para uma história de zumbis, não deixe de participar. O regulamento pode ser lido em www.cranik.com/zumbis.html. Abraço!
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
O LENÇOL (conto revisado)

Boa noite, minha querida. Já está confortável debaixo de suas cobertas? Bom, então vou contar a história que prometi.
Aconteceu quando eu tinha mais ou menos sua idade, uns doze anos, quase treze. Eu dormia exatamente como você, sabia? De barriga pra cima e coberto da cabeça aos pés. Meu pai dizia que eu ficava parecendo um morto no necrotério. Ah, papai... Foi por causa dele que tivemos que sair de Curitiba e nos mudar pro interior. Motivos profissionais.
Bom, a cidadezinha era legal até, muito bonita e arborizada, tinha bastante espaço pra andar de bicicleta e tudo mais. Mas também tinha lá seus problemas, tipo, no começo as pessoas olhavam pra mim como se eu fosse um alienígena. Nada pessoal, qualquer um que vinha de fora recebia o mesmo tratamento caloroso. Demorei pra fazer amigos e... Ah, eu já contei isso antes, né? Esquece, vamos voltar ao principal.
O maior problema daquele lugar era o clima, muito mais quente do que eu estava acostumado. As noites abafadas não traziam alívio. Eu queria deixar o ventilador ligado no máximo em minha direção, mas mamãe não deixava. Dizia que eu ficaria doente, então me obrigava a mantê-lo virado pro outro lado, apenas para circular o ar. Estávamos sem dinheiro para comprar um ar condicionado, e ficar com a janela aberta estava fora de questão. Mania de cidade grande, deixar tudo fechado.
Continuei dormindo do mesmo jeito, todo encoberto. Eu já não acreditava que algo agarraria meu tornozelo se ele ficasse para fora, porém o hábito de infância estava enraizado. Pra não morrer cozido, tive que substituir os cobertores por um lençol. Mesmo assim ainda esquentava bastante, eu dormia mal e acordava encharcado de suor.
Então, numa noite que fazia a gente acreditar em coisas como combustão humana espontânea, resolvi largar aquele hábito idiota de uma vez por todas. Porém, ficar com o corpo inteiro descoberto seria um passo muito grande, então deixei apenas a cabeça e os braços para fora. Aliviou o calor um pouquinho. Já era alguma coisa, mas por outro lado, comecei a me sentir incomodado, vulnerável. Como não precisaria acordar cedo na manhã seguinte – era noite de sábado pra domingo – resolvi insistir naquilo, até que finalmente consegui.
Consegui perder o sono.
Fiquei deitado de olhos abertos, pensando em como a vida podia ser um chute no saco de vez
De início, achei que era um vento mais forte passando entre as frestas da janela, mas as cortinas estavam paradas. Fiquei olhando na direção da porta como se estivesse hipnotizado, a abertura ficando cada vez maior. Comecei a ficar com medo, e me cobri inteiro com o lençol.
Não é nada, pensei, isso acontece de vez em quando. Portas que não estão bem fechadas acabam se movimentando sozinhas. Sim, eu repetia esse pensamento sem parar, mas não conseguia afastar aquela impressão cada vez mais forte.
A sensação de que alguém havia saído de dentro do guarda-roupa, e agora estava parado ao meu lado.
Fiquei imóvel, tentando não respirar ou emitir qualquer som, o coração batendo tão forte que chegava a ser doloroso. Assim permaneci durante um bom tempo, até a sensação acabar.
Não tive coragem de conferir se aquilo havia ido embora. Só quando a luz da manhã atravessou as fissuras da janela, consegui adormecer.
Acordei com minha mãe chamando para almoçar. Tirei o lençol do rosto e olhei pra porta que havia visto se abrir durante a noite. Estava fechada. Puxei-a após um momento de hesitação, e como você deve imaginar, não havia nada ali dentro. Minto, havia camisetas e calças penduradas, nada que me deixasse propenso a fugir gritando. À luz do dia, foi muito fácil concluir que havia imaginado tudo.
Quando a noite chegou, eu já não tinha tanta certeza.
Mas não podia falar nada pros meus pais. Papai me daria uma bronca, afinal eu estava velho demais pra ter medo do bicho-papão, e mamãe confiscaria todos os meus gibis de terror. Aqueles antigos, sabe, tipo “Histórias Reais de Drácula” ou “de Lobisomem”... Mais uma vez revistei o armário inteiro, à procura de qualquer coisa estranha. Não encontrei nada, e pra mim estava ok.
Apaguei a luz e fui pra cama, me cobrindo todo. Tá, não havia nada para me preocupar, mas já havia perdido a vontade de abandonar o costume. Além disso, aquela noite estava menos quente, dava pra dormir numa boa. Dormi mesmo, só que acordei com sede durante a madrugada. Sempre deixava um copo de água no criado mudo, mas agora estava meio receoso de estender o braço para pegar. Fiquei nessa dúvida até a secura em minha garganta se tornar insuportável, então tirei o lençol do rosto e olhei pro armário, só pra me certificar que estaria fechado.
Não estava.
Fiquei imóvel, olhando para a porta até meus olhos se acostumarem com a escuridão. Sim, não havia dúvida, estava entreaberta, mas e daí? Dessa vez eu não estava assustado! Bom, não muito. Sentei na beirada da cama e fiquei parado por alguns momentos, tomando coragem para ficar em pé e fechar aquele maldito guarda-roupa. Isso acabaria com meu medo de uma vez por todas. Respirei fundo e levantei, caminhando rápido até o móvel aberto.
Quando comecei a empurrar a porta, uma mão pálida saiu lá de dentro e tentou agarrar meu pulso.
O que aconteceu no instante seguinte eu não lembro. Lembro apenas de estar novamente em minha cama, escondido embaixo do lençol. Sim, teria sido mais inteligente correr até o quarto dos meus pais, mas naquela hora não pensei em mais nada, estava aterrorizado. De maneira frenética, testei com os pés se o lençol ainda estava bem preso embaixo do colchão, e cerrei os punhos sobre a beirada que cobria minha cabeça. Antes que tivesse tempo de negar o que havia visto, senti que o fantasma vinha em minha direção. Não, não estava vendo ele, mas sua presença era tão intensa que dava no mesmo. Eu queria gritar, mas estava paralisado.
Aquilo estava chegando cada vez mais perto, com os braços estendidos.
Minha bexiga se soltou, acrescentando vergonha ao terror absoluto. Cerrei os dentes, esperando o momento em que aquelas mãos de cadáver iriam me arrastar pra fora da cama. Elas já estavam a centímetros do meu pescoço...
E então pararam.
A coisa ficou imóvel durante um longo tempo, depois afastou os braços e começou a caminhar ao redor da minha cama.
Procurava alguma coisa, talvez uma parte desprotegida.
Isso me deu esperanças, achei que se estivesse totalmente coberto, a assombração não conseguiria me pegar. E assim esperei, na expectativa, a garganta tão seca que chegava a doer. Eu tremia e soluçava baixinho, rezando para aquilo ir embora. Se funcionou eu não sei, pois em algum momento perdi os sentidos.
Acordei na manhã seguinte, com meu pai chamando para ir à escola. Pulei da cama e o abracei, chorando, sem me importar se levaria bronca ou não. Criança é tão boba... É óbvio que meu pai não brigou comigo, apenas me abraçou bem forte e perguntou o que havia acontecido. Mamãe também despertou e fomos todos pra cozinha, onde contei tudo. Nossa, eles foram tão legais, me acalmaram e disseram que havia sido um pesadelo, essa coisa básica, mas em compensação não me trataram como aqueles pais idiotas dos filmes de terror, que negam tudo até ser tarde demais. Deus, como sinto saudades deles...
Revistaram o quarto junto comigo, e nem falaram nada sobre o cheiro de urina em minha cama e pijama. Claro, não encontramos nada de anormal, mas eu ainda estava alarmado. Mamãe disse que eu poderia dormir com eles até meu medo passar. Adivinha se não aceitei?
Como não compartilhavam da minha mania de dormir coberto, tive que me enrolar inteiro no meu lençol. Papai disse que eu já não era mais um morto no necrotério, e sim uma múmia. Bom, você pode achar que tudo ficou bem, agora que eu estava no meio de dois adultos, certo? Quem me dera.
Naquela mesma noite, o fantasma retornou.
Saiu do guarda-roupa dos meus pais, provocando um rangido abafado na dobradiça, depois ficou me rondando com avidez. Aterrorizado, comecei a dar cotoveladas na minha mãe, tomando cuidado para não sair do meu casulo. No momento que ela acordou, senti aquilo indo embora. Mamãe acendeu o abajur, olhou pelo quarto – o armário estava fechado de novo - e me garantiu que não havia nada ali.
Assim que ela voltou a dormir, escutei aquele rangido de novo. Acordei-a de novo e tudo se repetiu, com a diferença de que agora havia uma leve impaciência em sua voz. Tentei despertar meu pai na outra vez, mas ele tinha um sono pesado demais. Resignei-me e esperei quietinho, até a aparição desistir.
Aquilo se repetiu por muitas noites. Meus pais insistiam que eu estava sonhando, ou então era o medo me fazendo ver coisas que não existiam. O medo podia fazer a manga de uma camisa ficar parecida com um braço, que tentava puxar a gente para um lugar escuro. Fazia sentido pra eles, e eu me desesperava por não poder provar que estavam errados.
Comecei a sofrer de insônia, queria que a luz ficasse acesa, me recusava a voltar ao meu quarto. Meus pais foram ficando cada vez mais preocupados, achando que aquela fase não era tão passageira quanto supunham. Fizeram minha vontade e tiraram o guarda-roupa do quarto deles. Eu lembro bem dessa noite, porque fiquei mais relaxado e até me arrisquei a dar uma espiada fora do lençol. O abajur estava aceso e fiquei passando os olhos por todo o recinto, na expectativa. Estava quase me cobrindo de novo, quando percebi alguém escondido atrás da cortina.
Ah, dessa vez eu consegui gritar. E como.
É óbvio que não havia nada lá quando meus pais acordaram, e no dia seguinte, me levaram a um psicólogo. Ele disse umas coisas interessantes, que eu estava estressado com a mudança de ambiente e com a solidão, além disso era normal ter medo naquela idade. À medida que fosse crescendo, meu temor iria diminuir de forma gradativa. Nisso ele estava certo, mas demorou algum tempo.
Todas as noites antes de deitar, eu precisava conferir obsessivamente se meu cobertor estava bem preso embaixo do colchão, com medo que se soltasse durante a noite. Nos mudamos de casa e eu ganhei um quarto sem móveis ou cortina, apenas minha cama. Desolado, descobri que o visitante noturno não precisava de nada disso para me encontrar, embora tivesse uma estranha preferência por guarda-roupas.
As noites de terror só acabaram quando comecei a tomar remédios para dormir. Coisa forte mesmo, tarja preta. Logo que eu engolia os comprimidos, corria pra cama e me enrolava em meu escudo de tecido, então esperava aquele doce torpor me envolver.
Os meses foram passando e arranjei alguns amigos. Aquela história de “medo pregando peças” parecia cada vez mais verossímil. Os anos vieram sem eu perceber, minha voz engrossou e comecei a me interessar pelas garotas.
O fantasma era apenas uma lembrança distante quando comecei a diminuir a medicação.
Ainda acordei algumas madrugadas com a impressão de não estar sozinho, porém era bem mais tênue dessa vez. Bastava pensar em outra coisa, e aquilo acabava. Meu temor foi enfraquecendo aos poucos, então um dia, sem mais nem menos, a sensação acabou para sempre.
Eu havia crescido.
Continuei dormindo todo encoberto, mas isso era novamente um hábito, não uma compulsão. Entrei na faculdade e fui morar numa república de estudantes. Agora, eu só lembrava das minhas aventuras de infância quando alguém da roda começava a contar histórias de terror. Eu contava minhas experiências - sempre omitindo o fato de ter mijado na cama - e meus relatos faziam bastante sucesso. Mas eu acho que a Carol nem prestou atenção. Ela era minha namorada na época, e foi ela que levantou meu lençol na primeira noite que passávamos juntos. Lembro de acordar meio sonolento com ela perguntando “por que está dormindo desse jeito, seu bobo?”.
O fantasma agarrou meu pescoço antes que eu tivesse tempo de responder.
Puxou-me pra fora da cama e começou a me arrastar em direção à porta do armário, num pesadelo cego de luzes apagadas. Minha namorada berrava de forma histérica, sem entender o que estava acontecendo. Eu esperneava e lutava em pânico, sem conseguir me livrar dos dedos gelados que esmagavam minha traquéia. Ainda tentei me segurar na beirada do guarda-roupa. Farpas entraram na minha mão e duas ou três unhas se quebraram, sendo arrancadas da minha carne. Nem me importei com a dor, só queria escapar.
Não adiantou.
Quando senti o tecido das roupas deslizando por meu rosto, desmaiei.
Desmaiei ou morri.
Não sei quanto tempo fiquei inconsciente, só lembro que quando abri os olhos, havia apenas escuridão. No instante seguinte, escutei o grito da assombração que me trouxera até ali. Estava me procurando. Fugi para bem longe, até os urros de frustração se tornarem meros sussurros ecoando nas trevas.
Vaguei durante muito tempo sozinho, gritando por socorro. Muitas vezes ouvi outros pedidos de ajuda, na maioria com vozes de crianças. Em outras ocasiões, escutei apenas berros insanos. Nunca encontrei ninguém. A solidão se tornou desesperadora e já estava quase enlouquecendo, quando bati
Empurrei e cheguei aqui, no seu quarto.
Desde então, volto todas as noites. Sei que não pode me escutar, mesmo assim eu converso com você para espantar minha própria solidão. Vejo pelas fotos que está crescendo rápido. Não cometi o erro de ser visto, então logo você não sentirá mais minha presença. Vai concluir que eu não existo, aí será só questão de tempo para que abaixe o cobertor, deixando seu pescoço ou braço desprotegido.
Serei mais inteligente do que a coisa que me raptou.
Quando eu te puxar para dentro do armário, nunca mais vou te soltar.