Caríssimos, após muita enrolação, decidi iniciar um projeto que muito me agrada, o blog Biblioteca Mal-Assombrada. O objetivo do blog é ajudá-los na busca por livros de terror, fazendo resenhas e críticas de obras que já li e acho recomendáveis, assim como aquelas que acho melhor vocês olharem com um certo receio. Sou adepto da subjetividade, acredito que não adianta dizer "não compre tal coisa, é uma porcaria", afinal, sua opinião pode ser completamente diferente da minha, e ninguém está mais ou menos certo por pensar de uma forma ou de outra. Porém, preciso seguir meus critérios para escrever sobre os livros, e é provável que não vá agradar a todos (algo que nem prentendo fazer).
O que pretendo é fornecer um guia informal da literatura de horror já publicada no Brasil, de escritores estrangeiros e nacionais, incluindo vários títulos antigos e obscuros, que precisam ser caçados nos sebos (físicos e virtuais) da vida. Além disso, tudo que interessa sobre o assunto Literatura do Horror terá lugar garantido no blog, incluindo H.Q.s, Biografias, notícias sobre novas publicações, etc (e conto com a ajuda de vocês para isso). Se o projeto der certo, quem sabe não faço algumas entrevistas com alguns escritores num futuro próximo?
Por isso, estão todos convidados a comparecerem na Biblioteca Mal-Assombrada, cujo link segue abaixo:
BIBLIOTECA MAL-ASSOMBRADA
Mas lembrem-se: devolvam os livros no prazo combinado, caso contrário, o policial da biblioteca irá atrás de vocês! (só quem lê Stephen King vai entender essa, rsrsrs).
Abraços!
quarta-feira, 3 de junho de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Publicação de conto na Scarium Megazine!
Olá, amigos. Antes de mais nada, desculpem-me pelo sumiço. Ando ocupadíssimo estudando para concursos públicos, organizando o concurso de contos (pelo visto, a palavra da vez é "concurso", rs) e outras cositas mais, algumas surpresas que logo logo divido com vocês, que tanto apóiam o escriba aqui (coisa que ele agradece imensamente).
No momento, já dá pra divulgar algo muito legal: a próxima edição da Scarium Megazine trará um conto de minha autoria! A história se chama Bruxa!, e modéstia às favas, ficou muito boa. Fiz muita pesquisa, li muitos livros para, no final, largar tudo e apelar para a boa e velha liberdade artística, HAUAHAUA! Brincadeira, usei muitos fatos históricos, mas não me prendi a eles na elaboração da história.
E olha, além do meu conto, há excelentes autores publicando histórias nessa edição especial, cujo tema é Mulheres: Nilza Amaral, Regina Drummond, Martha Argel, Cristina Lasaitis, Ana Cristina Rodrigues, Giulia Moon (com sua primeira H.Q publicada!!!), Nelson Magrini, Richard Diegues, Marcelo Augusto Galvão, Ademir Pascale e Marco Bourguignon. Só feras (e eu de gaiato, rs), e se vc não conhece algum deles, é só dar uma googlada para encontrar informações sobre eles. Uma edição dessas é, basicamente, uma antologia de grandes autores ao módico preço de oito reais (aliás, todas as edições da Scarium são assim), portanto, não perca tempo e encomende sua edição!
Obs. O concurso de contos que estou organizando vai oferecer três assinaturas da Scarium, começando por essa edição. Caso ainda não tenha tomado conhecimento do concurso, o endereço é http://concursoescritoresterror.blogspot.com.
E segue o link e a capa para mais informações sobre a Scarium 25, edição especial de terror: Mulheres! No link, vocês podem encontrar todas as informações sobre como adquirir a revista. Acreditem, vale à pena!
http://www.scarium.com.br/vintecinco/

E é isso. Abraços, até mais!
No momento, já dá pra divulgar algo muito legal: a próxima edição da Scarium Megazine trará um conto de minha autoria! A história se chama Bruxa!, e modéstia às favas, ficou muito boa. Fiz muita pesquisa, li muitos livros para, no final, largar tudo e apelar para a boa e velha liberdade artística, HAUAHAUA! Brincadeira, usei muitos fatos históricos, mas não me prendi a eles na elaboração da história.
E olha, além do meu conto, há excelentes autores publicando histórias nessa edição especial, cujo tema é Mulheres: Nilza Amaral, Regina Drummond, Martha Argel, Cristina Lasaitis, Ana Cristina Rodrigues, Giulia Moon (com sua primeira H.Q publicada!!!), Nelson Magrini, Richard Diegues, Marcelo Augusto Galvão, Ademir Pascale e Marco Bourguignon. Só feras (e eu de gaiato, rs), e se vc não conhece algum deles, é só dar uma googlada para encontrar informações sobre eles. Uma edição dessas é, basicamente, uma antologia de grandes autores ao módico preço de oito reais (aliás, todas as edições da Scarium são assim), portanto, não perca tempo e encomende sua edição!
Obs. O concurso de contos que estou organizando vai oferecer três assinaturas da Scarium, começando por essa edição. Caso ainda não tenha tomado conhecimento do concurso, o endereço é http://concursoescritoresterror.blogspot.com.
E segue o link e a capa para mais informações sobre a Scarium 25, edição especial de terror: Mulheres! No link, vocês podem encontrar todas as informações sobre como adquirir a revista. Acreditem, vale à pena!
http://www.scarium.com.br/vintecinco/

E é isso. Abraços, até mais!
terça-feira, 5 de maio de 2009
Conto: MONSTROS
Antes de mais nada, não esqueçam de olhar o Post anterior a este, onde falo de um concurso muito interessante promovido por mim, ou clique em CONCURSO e vá direto verificar esta grande chance de divulgar seus escritos!
E agora, um conto que só vou postar pela falta de tempo e coisa melhor. Não é que eu não goste dele, acho que é bom (embora um pouco pueril em certo aspecto), mas há um detalhe que só fui perceber quando já tinha terminado a história, e que me incomodou muito (quem já leu todos os meus outros contos, vai entender). Enfim, aqui está a vidraça, então preparem suas pedras, HAUAHAUA!
Abraços!
MONSTROS
- Crianças, parem com essa baderna e voltem pra mesa! – Valéria gritou para os filhos, algo tão eficaz quanto pedir a um tornado que não destruísse o celeiro. Almofadas jogadas, sofás fora do lugar e um vaso balançando em cima da mesa era o saldo de uma rápida passagem dos anjinhos hiperativos. A mãe correu para salvar a peça de cerâmica, lembrança da primeira viagem com o marido até a Tailândia. Teria conseguido caso não estivesse do outro lado da sala. Fechou os olhos para não ver os cacos se espalhando pelo piso, porém o barulho já foi suficiente para machucar fundo.
- Leonardo! Renata! Estou falando sério!
Colocou o DVD Piratas do Caribe II, que as crianças adoravam. Pensou que assim conseguiria acalmá-las um pouco, talvez o suficiente para que terminassem o jantar. Foi um erro. Em menos de dois minutos o casal de pimpolhos pulava sobre a bancada da cozinha, brandindo talheres como se fossem espadas. Encostado na geladeira, Arthur assistia a tudo, impassível.
- Desçam daí, vamos! – Valéria berrou ao entrar, no entanto os filhos já estavam correndo pelo corredor. Agora, fingiam que eram carros de corrida. Não pilotos, queriam ser carros mesmo. Quando entraram em um dos quartos, foi possível ouvir outro objeto sendo destruído. Um som bem comum ultimamente.
Ela olhou para o marido de maneira suplicante e enraivecida. Dois sentimentos difíceis de juntar, mesmo assim conseguiu com extrema competência. Ele caminhou em direção à sala, balançando a cabeça.
- Eu te falei que não era uma boa idéia.
- Eu sei disso, mas você podia ao menos me...
- Não.
Os infantes voltaram para um novo ataque, esbarrando nela enquanto se engalfinhavam.
- Crianças, por favor...
Uma cadeira foi jogada contra a parede.
- Vocês não estão me escutando, será que...
Maçãs e bananas de cera voaram pelos ares.
- Se vocês não pararem agora...!
A garrafa sobre a mesa foi derrubada, espalhando todo seu conteúdo pelo chão.
- EU VOU LIGAR PROS MONSTROS E PEDIR QUE VENHAM BUSCAR VOCÊS!!!
O efeito da frase foi mágico, quase milagroso. Os dois pararam de imediato e olharam para ela, a menina com terror, o garoto com ceticismo.
- Sim, isso mesmo! Eu avisei, é isso que acontece com crianças mal-educadas!
O choro de Renata veio como o vazamento de um dique, os bracinhos enlaçando as pernas da mãe e implorando para que não fizesse aquilo. Leonardo ainda desafiou:
- Não tem monstro nenhum...
- Não? NÃO? Pois muito bem mocinho, hoje você irá tirar a prova.
Valéria agarrou os dois pelos pulsos e os arrastou para o quarto. Olhou com desaprovação para os brinquedos espalhados e rabiscos de giz nas paredes brancas e pôsters da Disney. Sentia-se sem energia para reclamar disso agora, então simplesmente apagou a luz e os encarou sem piedade.
- Agora deitem e durmam! Se não ouvir mais nenhum barulhinho, pode ser que eu volte atrás. Só que não prometo nada.
Então a porta bateu e foi trancada por fora, irredutível como uma sentença de morte. Em silêncio, as crianças foram se deitar.
Passaram-se vários minutos antes que Leonardo falasse com a irmã, que soluçava baixinho.
- Deixa de ser boba, Rê... Não existem monstros não, a mãe só quer assustar a gente.
A menina enxugou os olhinhos com a mão.
- A mamãe nunca mente...
- Ela já mentiu sobre o Papai Noel, lembra? Disse que ele viria na noite do natal, só que quem trouxe os presentes foi nosso pai mesmo!
Renata ficou em silêncio, digerindo a informação. Já mais calma, sussurrou:
- Mas por que ela tá nos enganando?
- Porque ela quer que a gente seja bonzinho... – concluiu, repetindo a mesma conversa que sempre tinham quando colocados de castigo. – Acho que é melhor a gente começar a se comportar, né?
- É...
Feita a promessa, tão sincera quanto fugaz, os irmãos sossegaram um pouco. Quando a mãe também se acalmasse eles fariam seus juramentos, seriam perdoados e tudo ficaria bem. Por enquanto, o melhor era dormir.
No entanto o sono demorava a chegar, algo compreensível naquele estado de agitação com resquícios de fome. Leonardo se revirava em seu colchão quando a irmã chamou:
- Léo... Posso deitar com você?
Ele afastou o cobertor, sinalizando que sim. Renata desceu da cama devagar para não fazer barulho, porém chutou um boneco do Shreck sem querer. O brinquedo bateu na parede com estrondo e ela voou para debaixo das cobertas com o irmão, ambos imóveis, na expectativa.
Do quarto dos pais veio algo parecido com um resmungo, seguido do som das teclas do telefone. As crianças se abraçaram com força, o tremor do corpo da menina contagiando o dele. E então, escutaram as cruéis palavras da mãe:
- Alô. Não... Não importa como consegui esse número, apenas anote o endereço: Rua das Andorinhas, número 67. Tem dois deles no quarto à esquerda, no fim do corredor. Adeus.
Leonardo forçou um riso baixo e comentou “até parece”. Não acreditava em monstros, não mesmo! Porém o medo começou a aumentar do mesmo jeito, indiferente à sua descrença. Com os olhos para fora do cobertor, averiguou cada canto, cada sombra. Fazia tempo que nenhum dos dois temia o escuro, mas e as coisas que moravam nele? Por algum motivo lembrou das criaturas de Harry Potter, trasgos, centauros e gigantes, que pareciam tão inofensivos nos livros e filmes, no entanto tão arrepiantes na atual situação. Afastou tais pensamentos, a lamúria de Renata despertando seu instinto protetor de irmão mais velho. Precisava ser corajoso, assim como fora naquela vez... Qual vez?
O fragmento de uma memória enterrada revelou-se por um instante: ele e a irmã em um canto do quarto, abraçados, a porta sendo arrebentada, os vultos se aproximando... Eles já haviam sido atacados por monstros antes? Não, só podia ter sido um pesadelo, a lembrança era nebulosa demais para ser verdadeira.
Um novo barulho interrompeu suas conjecturas. A porta da suíte foi aberta, em seguida seus pais correram até a sala da frente. Leonardo gritou:
- Pai! Mãe! Parem com isso, vocês tão assustando a Renatinha!
Então escutaram o barulho do carro saindo da garagem, cantando os pneus. A garota estava aos prantos mais uma vez.
- Calma Rê, calma, a mamãe só tá querendo deixar a gente com medo, ela acha que continuamos fazendo bagunça e quer nos dar uma lição de verdade...
- Vamos derrubar a porta, quebrar a janela, vamos fugir! – ela sugeriu, desesperada.
- Caaalma, você não vai querer deixar ela mais braba ainda quando voltar.
Na verdade ele já nem se importava com o eventual estado de nervos da mãe, apenas não queria dar o braço a torcer. Continuou afirmando que era tudo invenção e, aos poucos, Renata voltou a sossegar. Cantou uma musiquinha que a irmã gostava e assim prosseguiu por vários minutos, até completar meia-hora. Conforme o tempo passava era mais fácil afastar o temor, a mentira cada vez mais evidente. Que besteira, onde já se viu um serviço de ligação para monstros? Aquilo era...
Novos sons invadiram a casa.
Alguém parecia estar entrando.
Ambos aguçaram os ouvidos, atentos e paralisados. Escutaram portas sendo abertas e passos leves em cada cômodo. O menino concluiu que os pais estavam exagerando.
- A gente sabe que são vocês, parem com isso!
A pancada na porta do quarto fez os dois pularem de susto. Outra batida veio, e a madeira grossa começou a rachar.
A garota berrava e tampava o rosto. Leonardo pulou e empurrou a outra cama contra a porta, segurando. Sentia o impacto se alastrando pelos braços, os monstros abririam uma passagem em segundos.
Algo saltou através da janela e caiu bem em cima de Renata, que chiou como um animal encurralado. Antes que o menino pudesse ter qualquer reação, o grito da irmã parou de súbito. Seu sangue jorrou até o teto numa fonte rubra.
O garoto se afastou daquela cena dantesca, chorando de tristeza e perplexidade. O que estava acontecendo? Aquilo não parecia um monstro, e sim um homem! A madeira finalmente cedeu às machadadas dos outros invasores, que ao entrar jogaram uma rede sobre a criança. Somente agora seu instinto de sobrevivência foi despertado, as mãozinhas rasgando o tecido com força sobre-humana. Porém, aquele que matara sua irmã se aproximou depressa demais.
Antes que Leonardo conseguisse se libertar, a sangrenta estaca foi enfiada em seu coração.
O mais moço dos três caçadores de vampiros abriu o blecaute que tampava a janela, a luz do sol entrando para iluminar os pequenos cadáveres. Caso estes não tivessem dentes afiados e pele branca como açúcar, seria possível acreditar que ainda eram crianças humanas. Um dos outros estendeu a mão, fechando os olhinhos infantis com pesar. Era o décimo sexto caso parecido. Obra de Arthur e Valéria, o maldito par de sanguessugas que perseguiam há anos, sem sucesso.
O líder do grupo caminhou aborrecido até o quarto do casal, já sabendo o que encontraria em cima da cama.
O bilhete dizia “Obrigado novamente”.
Arthur acelerou a BMW pela rodovia, ultrapassando os outros carros com uma segurança sobrenatural. Mesmo o insufilme sendo G5 - o mais preto possível - os dois usavam óculos escuros. Era lenda que os vampiros viravam pó quando expostos ao sol, porém seus olhos eram particularmente sensíveis aos raios ultravioleta.
Colocou na última marcha e descansou a mão no joelho de Valéria, que olhava distraída pela janela negra. Apaixonar-se por uma excêntrica fora uma péssima idéia. Logo que a conheceu, achou deliciosamente extravagantes as suas reclamações de saudades da vida humana. Assim, quando ela decidiu “tentar se integrar às pessoas”, ele aceitou suas loucas exigências: o casamento civil, viagens pelo mundo, camas ao invés de caixões, etc. No entanto, sua súbita vontade de ter filhos era algo que passava dos limites. Como não podiam fazer isso pelos métodos normais, ela passou a transformar crianças em vampiros, hipnotizando-as para acreditarem que os dois eram seus pais. Valéria queria que os infantes continuassem agindo como humanos, então não lhes ensinava nada sobre sua nova condição de mortos vivos. Dessa forma, o casal era obrigado a sustentar as criaturinhas inúteis, levando sangue para casa. O risco era emocionante no início, mas com o tempo se tornou um tédio! Por sorte, sua parceira enjoava dos fedelhos assim que surgiam as primeiras dificuldades, quando os rebentos se revelavam manhosos demais, ativos demais, ranhentos demais e, na maioria dos casos, melancólicos demais. Contudo, não tinha coragem de eliminá-los – nem deixava que ele o fizesse. Seu senso de moral não permitia o infanticídio dos “filhos”, ao menos não pelas próprias mãos. O remédio era chamar os sempre prestativos caçadores de vampiros, que além de estarem presentes em todas as cidades maiores, também eram bichos-papões convenientes.
- Não acha que está na hora de parar, adorada?
- Com o quê?
- Você sabe, essa sua mania de brincar de ser humano.
- Se não consegue me levar a sério, Arthur, talvez deva voltar para sua existência medíocre de caçador solitário.
- De fato, talvez deva – ele respondeu, mesmo sabendo que não faria isso. Ainda não. A amava com intensidade, mas se não conseguisse convencê-la, iria para bem longe e mataria esse amor à força. Matar era sua especialidade, afinal de contas.
- Nós nunca moramos no Paraná. Acho que podemos chegar em Curitiba ainda hoje, o que acha? Valéria?
Ela já não prestava atenção, concentrada no erro que cometera. Pensou que transformar um casal de irmãos solucionaria o problema da solidão, que a maioria dos seus filhos anteriores havia enfrentado. Até resolveu, mas em conseqüência gerou novas dificuldades, com os pirralhos se unindo para enlouquecê-la. Ingratos! Monstros! Tudo bem, a cada fracasso, aprendia uma coisa nova. Não se importava em continuar tentando. Se fosse preciso, transformaria mil crianças até achar uma que servisse.
Ainda encontraria o filho perfeito.
E agora, um conto que só vou postar pela falta de tempo e coisa melhor. Não é que eu não goste dele, acho que é bom (embora um pouco pueril em certo aspecto), mas há um detalhe que só fui perceber quando já tinha terminado a história, e que me incomodou muito (quem já leu todos os meus outros contos, vai entender). Enfim, aqui está a vidraça, então preparem suas pedras, HAUAHAUA!
Abraços!
MONSTROS
- Crianças, parem com essa baderna e voltem pra mesa! – Valéria gritou para os filhos, algo tão eficaz quanto pedir a um tornado que não destruísse o celeiro. Almofadas jogadas, sofás fora do lugar e um vaso balançando em cima da mesa era o saldo de uma rápida passagem dos anjinhos hiperativos. A mãe correu para salvar a peça de cerâmica, lembrança da primeira viagem com o marido até a Tailândia. Teria conseguido caso não estivesse do outro lado da sala. Fechou os olhos para não ver os cacos se espalhando pelo piso, porém o barulho já foi suficiente para machucar fundo.
- Leonardo! Renata! Estou falando sério!
Colocou o DVD Piratas do Caribe II, que as crianças adoravam. Pensou que assim conseguiria acalmá-las um pouco, talvez o suficiente para que terminassem o jantar. Foi um erro. Em menos de dois minutos o casal de pimpolhos pulava sobre a bancada da cozinha, brandindo talheres como se fossem espadas. Encostado na geladeira, Arthur assistia a tudo, impassível.
- Desçam daí, vamos! – Valéria berrou ao entrar, no entanto os filhos já estavam correndo pelo corredor. Agora, fingiam que eram carros de corrida. Não pilotos, queriam ser carros mesmo. Quando entraram em um dos quartos, foi possível ouvir outro objeto sendo destruído. Um som bem comum ultimamente.
Ela olhou para o marido de maneira suplicante e enraivecida. Dois sentimentos difíceis de juntar, mesmo assim conseguiu com extrema competência. Ele caminhou em direção à sala, balançando a cabeça.
- Eu te falei que não era uma boa idéia.
- Eu sei disso, mas você podia ao menos me...
- Não.
Os infantes voltaram para um novo ataque, esbarrando nela enquanto se engalfinhavam.
- Crianças, por favor...
Uma cadeira foi jogada contra a parede.
- Vocês não estão me escutando, será que...
Maçãs e bananas de cera voaram pelos ares.
- Se vocês não pararem agora...!
A garrafa sobre a mesa foi derrubada, espalhando todo seu conteúdo pelo chão.
- EU VOU LIGAR PROS MONSTROS E PEDIR QUE VENHAM BUSCAR VOCÊS!!!
O efeito da frase foi mágico, quase milagroso. Os dois pararam de imediato e olharam para ela, a menina com terror, o garoto com ceticismo.
- Sim, isso mesmo! Eu avisei, é isso que acontece com crianças mal-educadas!
O choro de Renata veio como o vazamento de um dique, os bracinhos enlaçando as pernas da mãe e implorando para que não fizesse aquilo. Leonardo ainda desafiou:
- Não tem monstro nenhum...
- Não? NÃO? Pois muito bem mocinho, hoje você irá tirar a prova.
Valéria agarrou os dois pelos pulsos e os arrastou para o quarto. Olhou com desaprovação para os brinquedos espalhados e rabiscos de giz nas paredes brancas e pôsters da Disney. Sentia-se sem energia para reclamar disso agora, então simplesmente apagou a luz e os encarou sem piedade.
- Agora deitem e durmam! Se não ouvir mais nenhum barulhinho, pode ser que eu volte atrás. Só que não prometo nada.
Então a porta bateu e foi trancada por fora, irredutível como uma sentença de morte. Em silêncio, as crianças foram se deitar.
Passaram-se vários minutos antes que Leonardo falasse com a irmã, que soluçava baixinho.
- Deixa de ser boba, Rê... Não existem monstros não, a mãe só quer assustar a gente.
A menina enxugou os olhinhos com a mão.
- A mamãe nunca mente...
- Ela já mentiu sobre o Papai Noel, lembra? Disse que ele viria na noite do natal, só que quem trouxe os presentes foi nosso pai mesmo!
Renata ficou em silêncio, digerindo a informação. Já mais calma, sussurrou:
- Mas por que ela tá nos enganando?
- Porque ela quer que a gente seja bonzinho... – concluiu, repetindo a mesma conversa que sempre tinham quando colocados de castigo. – Acho que é melhor a gente começar a se comportar, né?
- É...
Feita a promessa, tão sincera quanto fugaz, os irmãos sossegaram um pouco. Quando a mãe também se acalmasse eles fariam seus juramentos, seriam perdoados e tudo ficaria bem. Por enquanto, o melhor era dormir.
No entanto o sono demorava a chegar, algo compreensível naquele estado de agitação com resquícios de fome. Leonardo se revirava em seu colchão quando a irmã chamou:
- Léo... Posso deitar com você?
Ele afastou o cobertor, sinalizando que sim. Renata desceu da cama devagar para não fazer barulho, porém chutou um boneco do Shreck sem querer. O brinquedo bateu na parede com estrondo e ela voou para debaixo das cobertas com o irmão, ambos imóveis, na expectativa.
Do quarto dos pais veio algo parecido com um resmungo, seguido do som das teclas do telefone. As crianças se abraçaram com força, o tremor do corpo da menina contagiando o dele. E então, escutaram as cruéis palavras da mãe:
- Alô. Não... Não importa como consegui esse número, apenas anote o endereço: Rua das Andorinhas, número 67. Tem dois deles no quarto à esquerda, no fim do corredor. Adeus.
Leonardo forçou um riso baixo e comentou “até parece”. Não acreditava em monstros, não mesmo! Porém o medo começou a aumentar do mesmo jeito, indiferente à sua descrença. Com os olhos para fora do cobertor, averiguou cada canto, cada sombra. Fazia tempo que nenhum dos dois temia o escuro, mas e as coisas que moravam nele? Por algum motivo lembrou das criaturas de Harry Potter, trasgos, centauros e gigantes, que pareciam tão inofensivos nos livros e filmes, no entanto tão arrepiantes na atual situação. Afastou tais pensamentos, a lamúria de Renata despertando seu instinto protetor de irmão mais velho. Precisava ser corajoso, assim como fora naquela vez... Qual vez?
O fragmento de uma memória enterrada revelou-se por um instante: ele e a irmã em um canto do quarto, abraçados, a porta sendo arrebentada, os vultos se aproximando... Eles já haviam sido atacados por monstros antes? Não, só podia ter sido um pesadelo, a lembrança era nebulosa demais para ser verdadeira.
Um novo barulho interrompeu suas conjecturas. A porta da suíte foi aberta, em seguida seus pais correram até a sala da frente. Leonardo gritou:
- Pai! Mãe! Parem com isso, vocês tão assustando a Renatinha!
Então escutaram o barulho do carro saindo da garagem, cantando os pneus. A garota estava aos prantos mais uma vez.
- Calma Rê, calma, a mamãe só tá querendo deixar a gente com medo, ela acha que continuamos fazendo bagunça e quer nos dar uma lição de verdade...
- Vamos derrubar a porta, quebrar a janela, vamos fugir! – ela sugeriu, desesperada.
- Caaalma, você não vai querer deixar ela mais braba ainda quando voltar.
Na verdade ele já nem se importava com o eventual estado de nervos da mãe, apenas não queria dar o braço a torcer. Continuou afirmando que era tudo invenção e, aos poucos, Renata voltou a sossegar. Cantou uma musiquinha que a irmã gostava e assim prosseguiu por vários minutos, até completar meia-hora. Conforme o tempo passava era mais fácil afastar o temor, a mentira cada vez mais evidente. Que besteira, onde já se viu um serviço de ligação para monstros? Aquilo era...
Novos sons invadiram a casa.
Alguém parecia estar entrando.
Ambos aguçaram os ouvidos, atentos e paralisados. Escutaram portas sendo abertas e passos leves em cada cômodo. O menino concluiu que os pais estavam exagerando.
- A gente sabe que são vocês, parem com isso!
A pancada na porta do quarto fez os dois pularem de susto. Outra batida veio, e a madeira grossa começou a rachar.
A garota berrava e tampava o rosto. Leonardo pulou e empurrou a outra cama contra a porta, segurando. Sentia o impacto se alastrando pelos braços, os monstros abririam uma passagem em segundos.
Algo saltou através da janela e caiu bem em cima de Renata, que chiou como um animal encurralado. Antes que o menino pudesse ter qualquer reação, o grito da irmã parou de súbito. Seu sangue jorrou até o teto numa fonte rubra.
O garoto se afastou daquela cena dantesca, chorando de tristeza e perplexidade. O que estava acontecendo? Aquilo não parecia um monstro, e sim um homem! A madeira finalmente cedeu às machadadas dos outros invasores, que ao entrar jogaram uma rede sobre a criança. Somente agora seu instinto de sobrevivência foi despertado, as mãozinhas rasgando o tecido com força sobre-humana. Porém, aquele que matara sua irmã se aproximou depressa demais.
Antes que Leonardo conseguisse se libertar, a sangrenta estaca foi enfiada em seu coração.
O mais moço dos três caçadores de vampiros abriu o blecaute que tampava a janela, a luz do sol entrando para iluminar os pequenos cadáveres. Caso estes não tivessem dentes afiados e pele branca como açúcar, seria possível acreditar que ainda eram crianças humanas. Um dos outros estendeu a mão, fechando os olhinhos infantis com pesar. Era o décimo sexto caso parecido. Obra de Arthur e Valéria, o maldito par de sanguessugas que perseguiam há anos, sem sucesso.
O líder do grupo caminhou aborrecido até o quarto do casal, já sabendo o que encontraria em cima da cama.
O bilhete dizia “Obrigado novamente”.
Arthur acelerou a BMW pela rodovia, ultrapassando os outros carros com uma segurança sobrenatural. Mesmo o insufilme sendo G5 - o mais preto possível - os dois usavam óculos escuros. Era lenda que os vampiros viravam pó quando expostos ao sol, porém seus olhos eram particularmente sensíveis aos raios ultravioleta.
Colocou na última marcha e descansou a mão no joelho de Valéria, que olhava distraída pela janela negra. Apaixonar-se por uma excêntrica fora uma péssima idéia. Logo que a conheceu, achou deliciosamente extravagantes as suas reclamações de saudades da vida humana. Assim, quando ela decidiu “tentar se integrar às pessoas”, ele aceitou suas loucas exigências: o casamento civil, viagens pelo mundo, camas ao invés de caixões, etc. No entanto, sua súbita vontade de ter filhos era algo que passava dos limites. Como não podiam fazer isso pelos métodos normais, ela passou a transformar crianças em vampiros, hipnotizando-as para acreditarem que os dois eram seus pais. Valéria queria que os infantes continuassem agindo como humanos, então não lhes ensinava nada sobre sua nova condição de mortos vivos. Dessa forma, o casal era obrigado a sustentar as criaturinhas inúteis, levando sangue para casa. O risco era emocionante no início, mas com o tempo se tornou um tédio! Por sorte, sua parceira enjoava dos fedelhos assim que surgiam as primeiras dificuldades, quando os rebentos se revelavam manhosos demais, ativos demais, ranhentos demais e, na maioria dos casos, melancólicos demais. Contudo, não tinha coragem de eliminá-los – nem deixava que ele o fizesse. Seu senso de moral não permitia o infanticídio dos “filhos”, ao menos não pelas próprias mãos. O remédio era chamar os sempre prestativos caçadores de vampiros, que além de estarem presentes em todas as cidades maiores, também eram bichos-papões convenientes.
- Não acha que está na hora de parar, adorada?
- Com o quê?
- Você sabe, essa sua mania de brincar de ser humano.
- Se não consegue me levar a sério, Arthur, talvez deva voltar para sua existência medíocre de caçador solitário.
- De fato, talvez deva – ele respondeu, mesmo sabendo que não faria isso. Ainda não. A amava com intensidade, mas se não conseguisse convencê-la, iria para bem longe e mataria esse amor à força. Matar era sua especialidade, afinal de contas.
- Nós nunca moramos no Paraná. Acho que podemos chegar em Curitiba ainda hoje, o que acha? Valéria?
Ela já não prestava atenção, concentrada no erro que cometera. Pensou que transformar um casal de irmãos solucionaria o problema da solidão, que a maioria dos seus filhos anteriores havia enfrentado. Até resolveu, mas em conseqüência gerou novas dificuldades, com os pirralhos se unindo para enlouquecê-la. Ingratos! Monstros! Tudo bem, a cada fracasso, aprendia uma coisa nova. Não se importava em continuar tentando. Se fosse preciso, transformaria mil crianças até achar uma que servisse.
Ainda encontraria o filho perfeito.
domingo, 3 de maio de 2009
Concurso Escritores de Terror!
Olá, minhas crianças da noite. Venho aqui convidá-los para um concurso de contos de terror, que eu e a colega Me Morte estamos organizando na comunidade Escritores de Terror, do Orkut. Se você divide comigo a paixão pela escrita de contos assustadores, está convidado para nos prestigiar com seu talento. Haverá premiação para os três primeiros colocados! O link para o regulamento do concurso segue abaixo:
Concurso Escritores de Terror
Abraços, espero vocês por lá!
Concurso Escritores de Terror
Abraços, espero vocês por lá!
domingo, 26 de abril de 2009
Blog Contos Sombrios

Crianças, acaba de ser inaugurado um blog que reune autores de renome no gênero terror, e se chama Contos Sombrios. Eu que sou muito metido, já cavei meu lugarzinho por lá, e garanto que estou muito bem acompanhado. Quem quiser conferir as excelentes histórias dessa "antologia maldita de escritores brasileiros", é só clicar no endereço http://contos-sombrios.blogspot.com/.
"Ah, titio, será que vou gostar?" Aff, eu já dei algum conselho furado pra vocês antes? Vão lá agora pra ver como tenho razão!!! HAUAHAUA!
Até breve, meus amigos!
sexta-feira, 3 de abril de 2009
CONTO: PRONTO PARA PARTIR
Vou postar uma história antiga, que na verdade é mais uma curiosidade: trata-se de um fanfic.
Para quem não sabe, fanfics (ou fan fictions) são histórias amadoras que se passam dentro de um mundo pré-determinado, seja o universo de um filme, de um livro, uma série de TV, uma história em quadrinhos, etc. Por exemplo, se algum de vocês resolvesse escrever uma história do Harry Potter encontrando o Gandalf, ou do Darth Vader enfrentando o Predador, isso seria um fanfic.
A seguinte história é um fanfic do filme O Mundo Perdido – Jurassic Park, de 1997.
Para situar aqueles que não se lembram dos detalhes desse filme (que particularmente não gosto, apesar de ser fã do primeiro Jurassic Park), são necessárias algumas explicações: em meio aos vários de furos do roteiro, há um trecho em que um Tiranossauro é tirado da ilha e levado de navio para a cidade de San Diego. Quando a embarcação aparece, é revelado que toda a tripulação foi massacrada (o navio chega descontrolado, destruindo o cais), e o Tiranossauro Rex, que esteve o tempo todo preso no porão, acaba escapando.
Bom, acontece que o filme nunca revela quem matou a tripulação, e no terceiro filme, quando tiveram a chance de explicar isso, nada foi dito. Portanto, a seguinte história é a minha versão dos fatos, minha teoria para o quê teria acontecido, e começa no navio que está levando o dinossauro para o continente.
Como o conto é antigo, a escrita está bem amadora, mas não tenho paciência para editar; portanto, estou postando como “registro histórico”, e também serve para vocês julgarem o quanto melhorei (ou piorei) com o tempo, rsrs. Mesmo assim, acho que é uma história legalzinha, e lembro que me diverti escrevendo. Tomara que vocês também se divirtam!
Obs. Esse conto foi postado no blog Ikessauro, e caso você se interesse por dinossauros, não vai encontrar um blog melhor do que esse. Há dezenas de reportagens, novas descobertas, miniaturas à venda... enfim, vai lá conferir!
Sem mais, aqui vai o conto:

PRONTO PARA PARTIR
O navio avançava pelo mar escuro quase na velocidade máxima, como se estivesse ansioso em deixar algum perigo para trás. Alguém vendo a situação de fora poderia até pensar que isso era verdade, pensou o Capitão Steve Newall, porém a explicação era bem mais trivial: tinha um horário a cumprir.
Ripley informava as coordenadas de um modo pomposo, cada informação soando como a descoberta da cura do câncer. Era novo no posto de imediato, e estava excitado. Que diabos, pensou o capitão, a tripulação inteira estava! Esboçou um sorriso enquanto observava os marujos cumprindo suas funções, cada um deles fazendo o máximo de esforço para se concentrar; uma batalha perdida, afinal, algo que habitara seus sonhos de garotos havia escapado do mundo onírico e invadido a realidade. Todos eram novamente crianças, brincando de caçadores de criaturas extintas, exploradores de vales perdidos e selvas paleozóicas!
- Como está nosso passageiro? – perguntou o capitão, referindo-se ao motivo de todo o alvoroço.
- Vou checar, senhor! – gritou um marujo, descendo as escadas de dois em dois degraus. Crianças de fato, todos eles!
Assim como eu - pensou o comandante. Era o bravo explorador, levando sua carga preciosa para um mundo estupefato. Lembrou de King Kong, filme que o encantara em sua infância. Até o nome de seu navio, Venture, era uma homenagem ao barco da história. Steve não era o descobridor da criatura, não iria levar qualquer crédito pela façanha, mas se deu ao luxo de imaginar que sim. Saiu da cabine e respirou o ar gelado da noite, e o cheiro do oceano era tão intenso que quase podia sentir o gosto de sal. Jamais enjoaria daquilo.
- Capitão, capitão! – berrou o marinheiro que havia descido. – O veterinário disse que o grandão parou de respirar agora pouco, daí eles injetaram um pouco de, de... Esqueci o nome...
- Desembucha, garoto! – gritou o Capitão, alarmado. – Não interessa o nome da porra do remédio, só diga se o bicho está bem!
- Sim senhor, ele está melhor agora! Respirando que é uma beleza! A equipe em terra já foi informada da situação!
- Bom, bom... Pode ir brincar com os outros.
- Senhor?
- Esquece, foi uma piada. Volte ao seu posto.
- Sim, senhor!
Steve retornou à cabine, reassumindo o leme. Não precisava fazer isso, é claro, entretanto gostava de fazê-lo. O piloto aproveitava essas folgas de bom grado, normalmente para fumar ao ar livre, mas esta noite foi correndo para o quarto em busca de sua câmera, antes de descer até o porão. Sem problemas, hoje tudo era permitido.
Lembrava agora do ceticismo com que recebera a notícia sobre o tal Jurassic Park. Bem, não tinha como acreditar até ver a coisa, e quando vira, rapaaaaz, era de tirar o fôlego! Deus do céu, dinossauros vivos! O maravilhoso animal que transportava era um milagre da engenharia genética, e pelo que seu contratante dissera, havia muitos outros por lá. Talvez até mesmo espécies desconhecidas, coisas que nunca haviam sido catalogadas pelos paleontólogos! Bem, bem, as ilhas Sorna e Nublar seria explorada em breve, e todos os seus mistérios seriam revelados.
Pensava nisso quando teve a impressão de ver algo correndo lá embaixo, no convés. Parecia um vulto, talvez fosse apenas uma impressão. Mesmo assim, ia perguntar ao imediato se também havia visto algo, quando vieram os gritos pelo rádio do circuito interno.
- Capitão, um dos homens viu algo no corredor, câmbio! – disse uma voz assustada e cheia de estática.
- Você quer dizer no convés? Câmbio.
- Não senhor, foi no corredor mesmo e... Espere... Não...
- Marujo? – Steve perguntou ansioso, obtendo um grito histérico como resposta. Logo em seguida vieram outros berros, não apenas pelo rádio, mas de toda parte.
E alguns daqueles gritos não eram humanos.
– Ripley, o que está acontecendo?
O imediato não respondeu.
Apenas apontou para algo atrás de Steve, com expressão confusa e aterrorizada.
O capitão virou o pescoço de forma lenta, e de início não entendeu nada; afinal, só havia o céu escuro por trás da porta aberta, que dava na escada do convés. Mas no instante seguinte, conseguiu enxergar aquilo assustava seu subordinado:
Dois olhos ávidos pareciam flutuar no céu noturno, encarando os homens encurralados.
- Que droga é essa? – gemeu o comandante.
Então, uma fileira de dentes afiados surgiu logo abaixo daquelas pupilas reptilianas, lembrando o gato de Alice no País das Maravilhas.
Um Alice no País das Maravilhas do inferno.
- Ah meu Deus, ah meu Deus... – repetia o imediato, numa ladainha apavorada.
Steve ia mandar que se calasse quando os olhos misteriosos entraram na sala, e seu cérebro continuou tendo problemas para registrar a cena; era como se a própria noite tivesse assumido a forma de um réptil bípede, tão alto quanto um ser humano, e agora se aproximasse com propósitos malignos. Só então o comandante compreendeu o porquê de sua confusão inicial: a pele do dinossauro era tão escura que o deixava perfeitamente camuflado contra o manto da madrugada.
Mais gritos de desespero vieram do lado de fora, alguns acabando de forma abrupta. Os marinheiros estavam em perigo, Steve precisava fazer alguma coisa!
Tentou sacar seu revólver, mas o réptil atravessou o recinto numa velocidade estonteante. Os gritos de Ripley preencheram e foram amplificados pela cabine, como se o lugar fosse uma concha acústica. O capitão foi arremessado para trás, ainda consciente. Viu o réptil calando os gritos do imediato com um corte certeiro no pescoço. Quase dava vontade de agradecer, pensou o comandante, mais uma vez levando a mão até o coldre na cintura.
A única coisa que conseguiu encontrar foi a mucosa pegajosa de seu intestino grosso.
Então é verdade que não se sente dor – pensou enquanto olhava para o abdômen aberto, lembrando das histórias de homens eviscerados no campo de batalha, mas que continuavam lutando. Balançou a cabeça como se isso pudesse espantar o pensamento. Devia se concentrar em sobreviver, mas estava ficando difícil raciocinar com coerência. Arrastou-se e agarrou a alavanca do acelerador, tentando se colocar em pé. Uma garra em forma de foice decepou sua mão na altura do pulso, fazendo com que caísse mais uma vez. A dor lancinante se espalhou do braço para o corpo com intensidade e, concluindo que aquela história de ausência dor não era bem assim, Steve perdeu os sentidos.
Nunca mais os recobraria.
Lá fora, o caos assumia seu trono, revelando-se um tirano em seus desmandos. Ian Malcom daria um sermão sobre isso se estivesse presente, ou então teria sido morto como todos os outros. A segunda alternativa era mais provável, mas para sua sorte ele estava a quilômetros dali, ainda sem saber da aventura que o aguardava.
O macho alfa emitiu o sinal de chamado e a maior parte do grupo se reuniu na popa, as garras e presas ensangüentadas maculando o negro quase total de suas peles. Fizeram gestos com a cabeça, informando que toda a área estava limpa. Todos estavam mortos, com exceção do grande predador lá embaixo, que dormia.
As três fêmeas restantes chegaram logo depois. Haviam eliminado os últimos homens e averiguado tudo, desde a sala de máquinas até o convés. Obviamente, não sabiam o significado de palavras como “sala de máquinas” ou “convés”. Não eram espertos a tal ponto. Sua inteligência se baseava em duas coisas: alimentar-se e passar despercebido.
Há 70 milhões de anos, quando havia inimigos gigantescos por toda parte, não ser visto representava uma enorme vantagem, e a evolução os aperfeiçoara nesse ponto; a cor preta os tornava praticamente invisíveis em seus hábitos noturnos; seus hormônios e secreções eram inodoros, e sua bagagem genética ordenava que eliminassem qualquer coisa que por azar os avistava. Mesmo se o maior Spinossauro visse um deles, todos os membros do grupo tentariam eliminar a criatura, sem se importarem com a possibilidade de morrerem na tentativa.
Felizmente, a situação era muito mais tranqüila agora; satisfeitos pela lauta refeição, brincavam e lutavam entre si de forma amigável. Neurônios ancestrais se ativaram no cérebro do líder, os mesmos que davam ordens para cuidar da prole, os mesmos impulsos que provocavam vontade de também entrar na brincadeira. Sentiam-se como filhotes, todos eles, filhotes!
Mas não era hora para isso. O animal soltou um silvo grave e o bando o encarou, os mesmos olhares de dúvida e ansiedade daqueles primeiros mamíferos esquisitos, que vira logo no momento do nascimento. Não viu mais nenhum deles depois da grande tempestade, que libertara o bando da prisão eletrificada. Isso mudou poucos dias atrás, quando invadiram seu lar, fazendo barulho e prendendo as outras espécies em jaulas. A vida, antes controlável, era agora confusa e perigosa. Sentiram necessidade de abandonar o habitat, então entraram escondidos no grande objeto que se movimentava na água. Até o momento, a decisão parecia acertada; aqueles seres bípedes eram fáceis de matar, além de bastante saborosos. A energia recém ingerida seria útil na próxima etapa da viagem.
Precisariam nadar. Eram muito bons nisso.
O grande líder já podia sentir o cheiro de terra firme, matéria orgânica e caça abundante. Não compreendia as luzes que vinham da enorme ilha lá na frente, mas não ia vacilar. Os outros o acompanharam até ali, não podia decepcioná-los agora.
Saltaram sobre a amurada de forma quase idêntica à dos velociraptores, seus primos ligeiramente menores e menos inteligentes, e olharam para San Diego com curiosidade. Logo descobririam que a metrópole tinha excelentes esconderijos, e os desaparecimentos ocasionais aumentariam bastante nos próximos meses, para desespero das perplexas autoridades.
O macho alfa soltou um rugido, em tom de desafio.
Estava pronto para partir.
Para quem não sabe, fanfics (ou fan fictions) são histórias amadoras que se passam dentro de um mundo pré-determinado, seja o universo de um filme, de um livro, uma série de TV, uma história em quadrinhos, etc. Por exemplo, se algum de vocês resolvesse escrever uma história do Harry Potter encontrando o Gandalf, ou do Darth Vader enfrentando o Predador, isso seria um fanfic.
A seguinte história é um fanfic do filme O Mundo Perdido – Jurassic Park, de 1997.
Para situar aqueles que não se lembram dos detalhes desse filme (que particularmente não gosto, apesar de ser fã do primeiro Jurassic Park), são necessárias algumas explicações: em meio aos vários de furos do roteiro, há um trecho em que um Tiranossauro é tirado da ilha e levado de navio para a cidade de San Diego. Quando a embarcação aparece, é revelado que toda a tripulação foi massacrada (o navio chega descontrolado, destruindo o cais), e o Tiranossauro Rex, que esteve o tempo todo preso no porão, acaba escapando.
Bom, acontece que o filme nunca revela quem matou a tripulação, e no terceiro filme, quando tiveram a chance de explicar isso, nada foi dito. Portanto, a seguinte história é a minha versão dos fatos, minha teoria para o quê teria acontecido, e começa no navio que está levando o dinossauro para o continente.
Como o conto é antigo, a escrita está bem amadora, mas não tenho paciência para editar; portanto, estou postando como “registro histórico”, e também serve para vocês julgarem o quanto melhorei (ou piorei) com o tempo, rsrs. Mesmo assim, acho que é uma história legalzinha, e lembro que me diverti escrevendo. Tomara que vocês também se divirtam!
Obs. Esse conto foi postado no blog Ikessauro, e caso você se interesse por dinossauros, não vai encontrar um blog melhor do que esse. Há dezenas de reportagens, novas descobertas, miniaturas à venda... enfim, vai lá conferir!
Sem mais, aqui vai o conto:

PRONTO PARA PARTIR
O navio avançava pelo mar escuro quase na velocidade máxima, como se estivesse ansioso em deixar algum perigo para trás. Alguém vendo a situação de fora poderia até pensar que isso era verdade, pensou o Capitão Steve Newall, porém a explicação era bem mais trivial: tinha um horário a cumprir.
Ripley informava as coordenadas de um modo pomposo, cada informação soando como a descoberta da cura do câncer. Era novo no posto de imediato, e estava excitado. Que diabos, pensou o capitão, a tripulação inteira estava! Esboçou um sorriso enquanto observava os marujos cumprindo suas funções, cada um deles fazendo o máximo de esforço para se concentrar; uma batalha perdida, afinal, algo que habitara seus sonhos de garotos havia escapado do mundo onírico e invadido a realidade. Todos eram novamente crianças, brincando de caçadores de criaturas extintas, exploradores de vales perdidos e selvas paleozóicas!
- Como está nosso passageiro? – perguntou o capitão, referindo-se ao motivo de todo o alvoroço.
- Vou checar, senhor! – gritou um marujo, descendo as escadas de dois em dois degraus. Crianças de fato, todos eles!
Assim como eu - pensou o comandante. Era o bravo explorador, levando sua carga preciosa para um mundo estupefato. Lembrou de King Kong, filme que o encantara em sua infância. Até o nome de seu navio, Venture, era uma homenagem ao barco da história. Steve não era o descobridor da criatura, não iria levar qualquer crédito pela façanha, mas se deu ao luxo de imaginar que sim. Saiu da cabine e respirou o ar gelado da noite, e o cheiro do oceano era tão intenso que quase podia sentir o gosto de sal. Jamais enjoaria daquilo.
- Capitão, capitão! – berrou o marinheiro que havia descido. – O veterinário disse que o grandão parou de respirar agora pouco, daí eles injetaram um pouco de, de... Esqueci o nome...
- Desembucha, garoto! – gritou o Capitão, alarmado. – Não interessa o nome da porra do remédio, só diga se o bicho está bem!
- Sim senhor, ele está melhor agora! Respirando que é uma beleza! A equipe em terra já foi informada da situação!
- Bom, bom... Pode ir brincar com os outros.
- Senhor?
- Esquece, foi uma piada. Volte ao seu posto.
- Sim, senhor!
Steve retornou à cabine, reassumindo o leme. Não precisava fazer isso, é claro, entretanto gostava de fazê-lo. O piloto aproveitava essas folgas de bom grado, normalmente para fumar ao ar livre, mas esta noite foi correndo para o quarto em busca de sua câmera, antes de descer até o porão. Sem problemas, hoje tudo era permitido.
Lembrava agora do ceticismo com que recebera a notícia sobre o tal Jurassic Park. Bem, não tinha como acreditar até ver a coisa, e quando vira, rapaaaaz, era de tirar o fôlego! Deus do céu, dinossauros vivos! O maravilhoso animal que transportava era um milagre da engenharia genética, e pelo que seu contratante dissera, havia muitos outros por lá. Talvez até mesmo espécies desconhecidas, coisas que nunca haviam sido catalogadas pelos paleontólogos! Bem, bem, as ilhas Sorna e Nublar seria explorada em breve, e todos os seus mistérios seriam revelados.
Pensava nisso quando teve a impressão de ver algo correndo lá embaixo, no convés. Parecia um vulto, talvez fosse apenas uma impressão. Mesmo assim, ia perguntar ao imediato se também havia visto algo, quando vieram os gritos pelo rádio do circuito interno.
- Capitão, um dos homens viu algo no corredor, câmbio! – disse uma voz assustada e cheia de estática.
- Você quer dizer no convés? Câmbio.
- Não senhor, foi no corredor mesmo e... Espere... Não...
- Marujo? – Steve perguntou ansioso, obtendo um grito histérico como resposta. Logo em seguida vieram outros berros, não apenas pelo rádio, mas de toda parte.
E alguns daqueles gritos não eram humanos.
– Ripley, o que está acontecendo?
O imediato não respondeu.
Apenas apontou para algo atrás de Steve, com expressão confusa e aterrorizada.
O capitão virou o pescoço de forma lenta, e de início não entendeu nada; afinal, só havia o céu escuro por trás da porta aberta, que dava na escada do convés. Mas no instante seguinte, conseguiu enxergar aquilo assustava seu subordinado:
Dois olhos ávidos pareciam flutuar no céu noturno, encarando os homens encurralados.
- Que droga é essa? – gemeu o comandante.
Então, uma fileira de dentes afiados surgiu logo abaixo daquelas pupilas reptilianas, lembrando o gato de Alice no País das Maravilhas.
Um Alice no País das Maravilhas do inferno.
- Ah meu Deus, ah meu Deus... – repetia o imediato, numa ladainha apavorada.
Steve ia mandar que se calasse quando os olhos misteriosos entraram na sala, e seu cérebro continuou tendo problemas para registrar a cena; era como se a própria noite tivesse assumido a forma de um réptil bípede, tão alto quanto um ser humano, e agora se aproximasse com propósitos malignos. Só então o comandante compreendeu o porquê de sua confusão inicial: a pele do dinossauro era tão escura que o deixava perfeitamente camuflado contra o manto da madrugada.
Mais gritos de desespero vieram do lado de fora, alguns acabando de forma abrupta. Os marinheiros estavam em perigo, Steve precisava fazer alguma coisa!
Tentou sacar seu revólver, mas o réptil atravessou o recinto numa velocidade estonteante. Os gritos de Ripley preencheram e foram amplificados pela cabine, como se o lugar fosse uma concha acústica. O capitão foi arremessado para trás, ainda consciente. Viu o réptil calando os gritos do imediato com um corte certeiro no pescoço. Quase dava vontade de agradecer, pensou o comandante, mais uma vez levando a mão até o coldre na cintura.
A única coisa que conseguiu encontrar foi a mucosa pegajosa de seu intestino grosso.
Então é verdade que não se sente dor – pensou enquanto olhava para o abdômen aberto, lembrando das histórias de homens eviscerados no campo de batalha, mas que continuavam lutando. Balançou a cabeça como se isso pudesse espantar o pensamento. Devia se concentrar em sobreviver, mas estava ficando difícil raciocinar com coerência. Arrastou-se e agarrou a alavanca do acelerador, tentando se colocar em pé. Uma garra em forma de foice decepou sua mão na altura do pulso, fazendo com que caísse mais uma vez. A dor lancinante se espalhou do braço para o corpo com intensidade e, concluindo que aquela história de ausência dor não era bem assim, Steve perdeu os sentidos.
Nunca mais os recobraria.
Lá fora, o caos assumia seu trono, revelando-se um tirano em seus desmandos. Ian Malcom daria um sermão sobre isso se estivesse presente, ou então teria sido morto como todos os outros. A segunda alternativa era mais provável, mas para sua sorte ele estava a quilômetros dali, ainda sem saber da aventura que o aguardava.
O macho alfa emitiu o sinal de chamado e a maior parte do grupo se reuniu na popa, as garras e presas ensangüentadas maculando o negro quase total de suas peles. Fizeram gestos com a cabeça, informando que toda a área estava limpa. Todos estavam mortos, com exceção do grande predador lá embaixo, que dormia.
As três fêmeas restantes chegaram logo depois. Haviam eliminado os últimos homens e averiguado tudo, desde a sala de máquinas até o convés. Obviamente, não sabiam o significado de palavras como “sala de máquinas” ou “convés”. Não eram espertos a tal ponto. Sua inteligência se baseava em duas coisas: alimentar-se e passar despercebido.
Há 70 milhões de anos, quando havia inimigos gigantescos por toda parte, não ser visto representava uma enorme vantagem, e a evolução os aperfeiçoara nesse ponto; a cor preta os tornava praticamente invisíveis em seus hábitos noturnos; seus hormônios e secreções eram inodoros, e sua bagagem genética ordenava que eliminassem qualquer coisa que por azar os avistava. Mesmo se o maior Spinossauro visse um deles, todos os membros do grupo tentariam eliminar a criatura, sem se importarem com a possibilidade de morrerem na tentativa.
Felizmente, a situação era muito mais tranqüila agora; satisfeitos pela lauta refeição, brincavam e lutavam entre si de forma amigável. Neurônios ancestrais se ativaram no cérebro do líder, os mesmos que davam ordens para cuidar da prole, os mesmos impulsos que provocavam vontade de também entrar na brincadeira. Sentiam-se como filhotes, todos eles, filhotes!
Mas não era hora para isso. O animal soltou um silvo grave e o bando o encarou, os mesmos olhares de dúvida e ansiedade daqueles primeiros mamíferos esquisitos, que vira logo no momento do nascimento. Não viu mais nenhum deles depois da grande tempestade, que libertara o bando da prisão eletrificada. Isso mudou poucos dias atrás, quando invadiram seu lar, fazendo barulho e prendendo as outras espécies em jaulas. A vida, antes controlável, era agora confusa e perigosa. Sentiram necessidade de abandonar o habitat, então entraram escondidos no grande objeto que se movimentava na água. Até o momento, a decisão parecia acertada; aqueles seres bípedes eram fáceis de matar, além de bastante saborosos. A energia recém ingerida seria útil na próxima etapa da viagem.
Precisariam nadar. Eram muito bons nisso.
O grande líder já podia sentir o cheiro de terra firme, matéria orgânica e caça abundante. Não compreendia as luzes que vinham da enorme ilha lá na frente, mas não ia vacilar. Os outros o acompanharam até ali, não podia decepcioná-los agora.
Saltaram sobre a amurada de forma quase idêntica à dos velociraptores, seus primos ligeiramente menores e menos inteligentes, e olharam para San Diego com curiosidade. Logo descobririam que a metrópole tinha excelentes esconderijos, e os desaparecimentos ocasionais aumentariam bastante nos próximos meses, para desespero das perplexas autoridades.
O macho alfa soltou um rugido, em tom de desafio.
Estava pronto para partir.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Miniconto: A Loira da Estrada
Mais uma atualização da série "atualizações que não são lá muito atualizadas". Pra quem não leu a história na Terrorzine 6, aqui está a chance. Abraços!
A LOIRA DA ESTRADA
Eu estava dirigindo sozinho de madrugada, escutando música alta pra ficar bem acordado. A rodovia era um retão só. Não ter ninguém para conversar era um saco, e eu não parava de bocejar. Mas de repente percebi um movimento à minha direita. Tinha surgido algo no banco do passageiro, que tirou meu sono na hora.
Era uma loira de branco, aproximando-se para pegar meu braço.
O susto me fez perder o controle do carro, e capotei.
Acordei no hospital e vi meus familiares ao pé da cama, ansiosos para perguntar como eu tinha feito aquela besteira. Estava prestes a responder quando percebi um movimento à minha direita. Olhei.
Era uma loira de branco, aproximando-se para pegar meu braço.
Soltei um berro estridente antes de perceber meu erro. Quase morrendo de vergonha, pedi desculpas pra coitada da enfermeira e deixei que trocasse meu soro, enquanto o pessoal olhava pra mim de um jeito estranho.
A assustadora visão na estrada tinha sido apenas uma premonição.
A LOIRA DA ESTRADA
Eu estava dirigindo sozinho de madrugada, escutando música alta pra ficar bem acordado. A rodovia era um retão só. Não ter ninguém para conversar era um saco, e eu não parava de bocejar. Mas de repente percebi um movimento à minha direita. Tinha surgido algo no banco do passageiro, que tirou meu sono na hora.
Era uma loira de branco, aproximando-se para pegar meu braço.
O susto me fez perder o controle do carro, e capotei.
Acordei no hospital e vi meus familiares ao pé da cama, ansiosos para perguntar como eu tinha feito aquela besteira. Estava prestes a responder quando percebi um movimento à minha direita. Olhei.
Era uma loira de branco, aproximando-se para pegar meu braço.
Soltei um berro estridente antes de perceber meu erro. Quase morrendo de vergonha, pedi desculpas pra coitada da enfermeira e deixei que trocasse meu soro, enquanto o pessoal olhava pra mim de um jeito estranho.
A assustadora visão na estrada tinha sido apenas uma premonição.
sexta-feira, 13 de março de 2009
MEU NOVO BLOG: O TREM FANTASMA!
Caríssimos, é com muito prazer que anuncio a inauguração do meu novo blog: O Trem Fantasma! Peguem seus tickets grátis e cliquem no link:
http://notremfantasma.blogspot.com/
Escolham um assento e segurem firme (o trem vai meio rápido, e não tem cinto), depois é só relaxar.
Enjoy the ride!
Terrorzine 7
Segue o link para a Terrorzine número 7, que tem muita coisa boa. Não, infelizmente não tem nenhuma história minha. "Ah, então o nível deles subiu", escuto alguém sussurrar. Pode até ser, mas você pagará caro pelo comentário!
www.cranik.com/terrorzine7.pdf
Abraços, minhas crias da noite (menos para aquele que fez o comentário, rsrs).
www.cranik.com/terrorzine7.pdf
Abraços, minhas crias da noite (menos para aquele que fez o comentário, rsrs).
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
CAÇADA
A grande ave voava sobre o oceano, em busca de uma presa.
Nenhuma corrente marítima seria capaz de mantê-la no ar, então precisava bater as asas constantemente, da mesma forma que um tubarão nunca parava de se mover. Forçou os olhos poderosos em busca de algum vulto próximo à superfície, algo que pudesse alimentar a ela e seus filhotes por pelo menos um dia.
E então, avistou uma vítima em potencial.
Após dois movimentos vigorosos para pegar velocidade, o pássaro fechou as asas e mergulhou como uma grande flecha, concentrado. Caso errasse o ataque, precisaria realizar uma volta muito extensa antes de fazer outra tentativa. Nesse meio-tempo, a refeição poderia afundar e fugir.
Suas crias dependiam daquilo.
Não podia errar.
Próximo da água, o animal esticou as patas e atingiu a presa com mira perfeita. Bateu as asas, provocando vagalhões antes de arrebatar sua caça aos céus.
Aprisionada entre as garras titânicas do Pássaro Roc*, a baleia emitiu sons de pavor.
* http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1ssaro_Roc
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Terrorzine 6 - Miniconto A Loira da Estrada
Boa noite a todos. Espero que minha última postagem tenha agradado, senão pelo conteúdo, ao menos pelo tamanho. Pretendia ficar mais uma semana sem postar nada, mas saiu a Terrorzine 6 com um miniconto meu. "Nossa, outro conto dele na Terrorzine, que novidade", ouço um de vocês resmungar ao fundo. Bom, na verdade a história tem um tom diferente daquele que estou habituado. Quem quiser conferir e dizer se tive sucesso, é só baixar a revista virtual e ir para a página 27. Aliás, essa edição é a primeira que tem um tema, "folclore, lendas e mitos", e tem muita coisa boa.
Baixaí!
www.cranik.com/terrorzine6.pdf
Até breve.
Baixaí!
www.cranik.com/terrorzine6.pdf
Até breve.
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