O INVASOR
Jorge sentiu o golpe no pescoço assim que entrou em casa, quando ia acender a luz. Rodopiou pelo ar, o tempo se esticando de maneira delirante. Dentre as várias coisas que passaram por sua mente repleta de pavor, imaginou qual seria a força necessária para fazer seus 85 quilos voarem com aquela desenvoltura. Embora a dor tivesse sido intensa no primeiro instante, já havia desaparecido antes dele atingir o chão.
Rolou alguns metros pelo assoalho até bater na parede. Tentou levantar para fugir do invasor que atacara pelas costas, no entanto estava paralisado, não sentia mais o corpo. Será que a pancada tinha sido intensa o suficiente para deixá-lo tetraplégico? Tudo indicava que sim. Parecia estar ficando inconsciente, o que era quase um alívio. Afinal, a possibilidade de estar incapacitado era triste demais para suportar.
A lâmpada foi ligada. Os olhos da vítima estavam voltados para a porta, então conseguiu ver seu agressor: era o marido da doce Ângela, sorrindo de forma vingativa enquanto segurava um machado ensangüentado.
Antes do resíduo de vida finalmente se esvair do cérebro, Jorge viu seu corpo decapitado caído aos pés do assassino.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008
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